Aos seis meses de idade morei no Leblon, na Rua José Linhares. Foi por pouco tempo. Deixei a “Aldeia Encantada” e mudei para o Grajaú. Retornei quando fiz 14 anos, bem a tempo de curtir a Bossa Nova e as meninas que despontavam em seus recatados maiôs de duas peças.
No Leblon conheci a garota com quem me casei e tive duas filhas. Foram anos de muita felicidade. O Leblon exerce uma atração irresistível. Quem o conhece jamais esquece.
O bairro cresceu, mas continua exercendo um fascínio inexplicável, restando muito pouco da velha aldeia encantada. Restam as lembranças e a saudade.

Um de meus amigos, Rogério Barbosa Lima, escreveu vários livros, mas um deles é o meu preferido: “O Antigo Leblon – Uma Aldeia Encantada“.
De lá retirei um breve histórico, que aqui transcrevo:
“O que era um campo arenoso, semeado de alagadiços e brejos, coberto de pitangueiras, espinheiros, palmeiras anãs, cactos e araçás, onde moravam uns poucos pescadores, deixou de ser um apêndice da Gávea para assumir as feições de bairro independente, por ocasião da Primeira Guerra Mundial, a partir da instalação de um ramal de tramways pela beira da praia, no trecho que, em 1918, passou a chamar-se Avenida Delfim Moreira.
Nesse local, os carris faziam conexão com a linha originária da Gávea, que percorria a Rua do Pau (hoje, parte Dias Ferreira, parte Conde Bernadotte), seguindo em direção à praia pela Rua do Sapé (atual Bartolomeu Mitre).
A linha circular Copacabana-Ipanema-Leblon-Gávea seria consolidada em 1938, com a construção de uma ponte sobre o canal do Jardim de Alá, ligando a Rua Visconde de Pirajá à Avenida Ataulfo de Paiva, colocando um fim às baldeações e à circulação de bondes pela praia.
Antes disso, em 1920, arranjaram o traçado dos dois canais existentes na restinga, ligando a lagoa ao mar e, entre eles, meteu-se o Leblon, que os ipanemenses chamaram de ilha, comparação ou expressão atribuída a Homero Homem.
Até o início do século, nem mesmo na linguagem do povo, aquele conjunto de chácaras desmembradas da antiga Fazenda Nacional da Lagoa tinha o nome de Leblon. Sua origem remonta a um francês chamado Charles Leblon, proprietário de um lote no areal — um quadrilátero delimitado, num sentido, pelas atuais Av. Visconde de Albuquerque e Rua General Urquiza e, no outro, pela Dias Ferreira e o mar —, que se convencionou chamar de Campo do Leblon. Um incidente, como veremos adiante, dada a publicidade que despertou, contribuiu para que o nome ´pegasse`.
Novidadeiros pretendem que o toponímico derive de um dos atributos físicos do peregrino (le blond, ´o louro`), como se já não bastasse o sobrenome…
Emannuel Hyppolite Charles Toussaint Leblon de Meyrach, filho de Louis Charles Leblon de Meyrach e Virginie de Angles, nasceu, em 1804, na cidade francesa de Marseille, emigrando muito jovem para o Brasil, onde veio a falecer, na cidade do Rio de Janeiro, no ano de 1880.
Conforme certifica a Catedral Metropolitana de Niterói, revendo termos de casamentos realizados na Paróquia, consta no Livro 1, Folhas 21 e 22, o casamento — celebrado em 28 de setembro de 1839 — de Manuel Hipólito Carlos Leblon e Francisca F. Ornellas Teles, filha do Brigadeiro² Francisco de Ornellas Teles Barreto e de Maria Pimentel do Vabo. Do enlace, resultou numerosa prole.
Como se vê, Carlos Leblon já havia se acariocado, e é com esse nome abreviado que vai firmar todos os documentos e contratos ajustados no Brasil, entre eles o que formalizou a aquisição das terras mencionadas, adquiridas de Bernardino José Ribeiro em 1845, quando ali instalou uma fazenda destinada à criação de gado e criou uma empresa com a finalidade de explorar a pesca de baleias, atividade empreendida mediante o uso de barcas apelidadas de ´Alabamas`, ou pela ação de homens encarapitados no alto das pedras debruçadas sobre o mar (daí a origem da Praia do Arpoador, rochedo mais avançado mar adentro). A empresa chamava-se Aliança. Curiosamente, a Aliança Navegação, gerida atualmente por um grupo alemão, possui um cargueiro denominado Leblon.
A gordura das baleias do gênero ´cachalote` era aquecida para a fabricação do óleo que servia como combustível para os candeeiros que iluminavam as ruas do Rio e, também, integrada à argamassa do sólido concreto reclamado pela construção civil, estimulada no Segundo Império. Quase tudo no generoso cetáceo tinha préstimos: os ossos eram queimados para a obtenção de cal; com o marfim dos dentes, eram feitos objetos de arte; com as barbatanas, fabricavam-se espartilhos.
Aconteceu, no entanto, que, em 25 de março de 1854, por iniciativa de Irineu Evangelista de Souza, o Barão de Mauá, foi inaugurado na cidade o serviço de iluminação à gás, o que conspirava contra os interesses do Sr. Carlos Leblon. Um pouco antes, em 1851 (aí entra o tal incidente que contribuiu para celebrizar o nome ´Leblon`), mais precisamente em 23 de fevereiro, o Jornal do Commercio recebeu carta — que fez publicar — do Sr. Carlos Leblon queixando-se do desrespeito ao seu direito de propriedade “garantido pela Constituição Política do Império” pelo fato de ter o Ministro da Guerra requisitado parte de sua fazenda para a prática de exercícios militares, o que danificaria as pastagens e traria desassossego aos animais destinados aos serviços da chácara. Em razão do protesto ou sem ele, o Decreto Imperial nº 765, de 8 de março de 1851 mandou desapropriar um terreno com oitenta palmos de largura e o comprimento necessário para prolongar até à praia a rua que se dirigia “à casa de Carlos Leblon, na Lagoa Rodrigo de Freitas” — o arranjo repercutiu na imprensa e foi muito comentado na Corte.

Beneficiado aqui, prejudicado ali, o fato é que, em 1857, Charles Leblon vendeu suas terras ao empresário e tabelião Francisco José Fialho, que as revendeu, em 1878, a particulares, entre eles o português José de Guimarães Seixas, cuja casa ocupava o terreno onde hoje está o Clube Campestre, na Rua Alberto Rangel, no alto da Rua Igarapava. Em sua casa, o empresário — adepto da causa abolicionista — abrigou negros fugidos, e por isso sua chácara passou a ser conhecida como Quilombo do Seixas, ou, como querem alguns, Quilombo do Leblon.
Mas, o Leblon não começou com nosso caro Charles. Dizem que aborígenes ocuparam a região desde o século VI. As terras circunvizinhas à Lagoa Rodrigo de Freitas já eram palmilhadas pelos franceses antes da fundação da cidade, quando de sua frondosa mataria extraíram o precioso pau-brasil. Um mapa francês, de 1558, situa no Leblon a aldeia Kariané. Esses tamoios teriam dado ao sítio o nome de Ypaum(espaço entre canais), em harmonia com a toponímia local. Muitos nomes de ruas do Leblon ainda guardam os nomes originais, que evocam a língua tupi: Igarapava (ancoradouro de canoa), Aperana (caminho errado), Sambaíba (designa um tipo de planta), Tubira (caminho de poeira), Itaquira (mina de água), etc…
Por volta de 1575, capitaneando a cidade do Rio de Janeiro e mediante o artifício criminoso de espalhar pelos riachos locais mudas de roupas retiradas de vítimas da varíola, o nefando bacharel Antonio de Salema exterminou os silvícolas, deixando a região livre para a construção de engenhos, finalidade que a seu ver justificava a carnificina, ainda que, de contrapeso, tivessem sucumbido também alguns portugueses.
Em 1606, Afonso Fernandes obteve carta de sesmaria que lhe dava o aforamento de “300 braças começadas a medir do Pão de Açúcar, ao longo do mar salgado, para a Praia de João de Souza e, para o sertão, costa brava, tudo o que houvesse”. A saber, todos os terrenos de marinha do Leme ao Leblon e mais um pouco. Preço: 1000 réis de foro anual. A viúva Domingas Mendes Fernandes transferiu o aforamento à Câmara Municipal e, de repasse em repasse, foi tudo parar nas mãos do fazendeiro Sebastião Fagundes Varella. Era, então, 1609, e o proprietário destinou as terras à criação de gado e à exploração de madeira, ambos necessários para mover o Engenho de Nossa Senhora de Conceição da Lagoa.
No ano de 1702, a bisneta e herdeira de Varella, Petronilha Fagundes, guapa rapariga de trinta e um anos, solteirona, porém, para os critérios da época, desposa o jovem oficial de cavalaria, de dezoito anos, Rodrigo de Freitas Castro, que, para expiar a culpa pelo golpe do baú, tornou-se o mais empreendedor dos proprietários, a ponto de a lagoa dever-lhe o nome. Este enviuvou cedo, enviuvou e mudou… para Portugal, onde também cedo morreu, aos quarenta e um anos, já porém cheio de honrarias, como fidalgo da Casa Real e Cavaleiro de Cristo. O Príncipe D. João VI mandou desapropriar o Engenho da Lagoa, indenizando a herdeira Maria Leonor de Freitas Mello e Castro, e boa parte das terras que iam do Humaitá ao Leblon transformaram-se no Jardim Botânico. Como os terrenos de marinha não interessassem aos propósitos que animaram o Regente, foram cedidos, em 1808, a dona Aldonsa da Silva Rosa, feliz proprietária de toda a orla marítima que ia do Leme até o Leblon… e mais um pouco em direção ao sertão, extensão de terreno que se chamava à essa altura Fazenda Copacabana. Aldonsa transferiu a posse a Manoel dos Santos Passos, que legou em testamento ao sobrinho Antônio da Costa Passos, que, por morte, beneficiou os sobrinhos Francisco da Silva Melo e Francisco Nascimento de Almeida Gonzaga, que, em 1844, venderam tudo para Bernardino José Ribeiro e… voltamos ao insigne Carlos Leblon que, por acaso, tinha os cabelos claros.
Iniciada a urbanização do Bairro, até onde se pôde apurar, as primeiras e mais conhecidas famílias que se instalaram na região foram Cordeiro de Mello, Padilha, Formenti (do inesquecível cantor e pintor Gastão Formenti) e Araújo (da qual provieram João Araújo, empresário da indústria fonográfica, e seu filho, o compositor Cazuza).”

1. Jerônimo Monteiro – antiga Nº 21
2. Rita Ludolf – antiga D. Rita Ludolf
3. Aristides Espínola – antiga Dr. Aristides Espínola
4. Rainha Guilhermina – antiga J. Antônio dos Santos
5. General Artigas – antiga Miguel Braga
6. General Venâncio Flores – antiga Azevedo Lima
7. Praça Antero de Quental – antiga Dr. Frontin (Conde de Frontin)
8. Bartolomeu Mitre – antiga Dias Ferreira (no trecho entre a Rua do Pau e a praia) Sapé e Conde de Avellar
9. João Lira – antiga Domingos Moitinho
10. José Linhares – antiga Cte. Batista das Neves e Acari
11. Cupertino Durão – antiga Francisco Ludolf
12. Carlos Góis – antiga Francisco dos Santos
13. Almirante Guilhem – antiga Dom Pedrito
14. Dias Ferreira – antiga Do Pau
15. Conde Bernadotte – antiga Do Pau
16. Humberto de Campos – antiga José Ludolf
17. San Martin – antiga Dr. Del Vecchio e Campos de Carvalho
Ruas que também mudaram a denominação, mas que não existiam quando o mapa acima foi feito (1919):
Desembargador Alfredo Russel – antiga Amiris
João de Barros – antiga Amarilis
Professor Artur Ramos – antiga Ardíria
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