
Há 50 anos era uma aventura, uma deliciosa aventura, chegar à Barra da Tijuca. Imagine a Barra da Tijuca nos anos 70. Os cariocas mais velhos devem se lembrar. A Estrada do Joá, com suas curvas e subidas íngremes, era o caminho mais curto de quem partia da zona sul. Tinha a vantagem de terminar na rua dos motéis. Claro que, em dias de engarrafamento, muitos preferiam subir pela Estrada das Canoas e descer pelo Itanhangá. Fiz muito isso, na época em que se podia circular pelas ruas e estradas do Rio de Janeiro sem medo e sustos. As vias eram liberadas aos moradores e a cidade era segura a qualquer hora do dia ou da noite. E estávamos nos anos 70, em pleno governo militar.
A Barra nos Anos 60
Antes disso, ainda nos anos 60, estava com 15 anos e treinava direção na Av. Sernambetiba, hoje Lúcio Costa, uma via deserta. Dirigia da Barra ao Pontal, indo e vindo, muitas vezes sem encontrar um único carro. De um lado o mar, do outro a Baixada de Jacarepaguá. Da estrada asfaltada se via desde o Maciço da Tijuca ao Maciço da Pedra Branca com todos os pequenos morros de Curicica e Jacarepaguá, sem uma única construção, um único obstáculo. Chegando no início da Barra assumia o controle do Chevrolet Belair hidramático e fazia todo o percurso, ida e volta. De vez em quando ensaiava umas gracinhas para quebrar a monotonia da brande reta, testando a velocidade do carrão.
Barra da Tijuca nos anos 70
Este vídeo mostra como começou a urbanização da Barra da Tijuca. Aqui estão cenas aéreas e terrestres da Barra da Tijuca, na época totalmente deserta, e o plano de Lucio Costa e Oscar Niemeyer para a expansão da cidade em direção à Barra.
Prêmio Anual Instituto de Arquitetos do Brasil, 1970, pela direção do filme.
Mostra de Arquitetura 2003, Museu de Arte Moderna, RJ
Música original: Luis Bonfá
Fotografia: Roland Henze
Direção: Paulo Martins